domingo, 25 de abril de 2010

Perdidos

O tempo muda,a vida segue em frente
E continuamos presos á correntes.
A volta apenas uma selva de pedra
Onde vistas majestosas surgem de dentro dela
Lugares ainda conservados,protegidos
Por quem ainda se importa.


Andamos por becos e vielas
Em meio a fumaça negra de desilusões,
Nos cantos vestígios de lutas
E o sangue mesmo seco,ainda escorre nas paredes.


Tudo escuro,úmido e frio
Estamos perdidos,não poderemos
Voltar para a casa está noite,
Lá no alto apenas a lua ilumina
Corpos que vagam pela escuridão.


Deitamos nesse chão imundo
Imaginando a relva macia
Imaginando respirar aquele ar puro um dia.


O frio corta a pele e a chuva
Lava as feridas.
Estamos perdidos,não poderemos
Voltar para casa está noite.


O tempo muda,a vida segue em frente
E continuamos presos á correntes.


Poeminha do Contra





Desilusões

Há muito tempo caminho por essa estrada
Longa e vazia.
Por ela acontece encontros e desencontros
Histórias pela metade e outras sem fim.

O Árco formado pelas árvores
Mostra quantas vezes curvavam-se
Para alcançar seu objetivo
E nos troncos as marcas do esforço.

Observo o movimento dos galhos
Suas sombras dançam no chão,
Um espetáculo formado pela noite.



A verdade é fixada no esfalto
Escondida sobre a tinta que divide a estrada.
Talvez eu ja esteja delirando,
Pois aqui só existe eu e a imensidão escura
E a cada tempestade que chega
Minha alma é lavada com chuva ácida
E meus olhos só enxergam movimentos distorcidos.


Não esqueço que entre essas indas e vindas
Tive grande lições,e a cada gota
Que cai na palma de minha mão
Significa que ainda há vida por aqui
Significa que devo seguir meu caminho,
E as desilusões ficam para trás.


O homem continua ao longe
Parado olhando fixamente para mim
Ainda não sei se algum dia poderei alcançá-lo
Mas sei que continuarei caminhando.


A vida nos proporciona desilusões
A vida nos proporciona abrir os olhos
Não importando qual meio será usado
Não me arrependo do que fiz
Foi bom nossos caminhos terem se cruzado
Mas a estrada continua e grita meu nome
Certas coisas viraram pó e aos poucos somem.

O que me resta é o vento
Ja não me importa,já não a menor diferença
Eu quero sair e ver o mar eu quero ser livre
E respirar ar puro eu quero simplesmente viver
E ser feliz,pois a felicidade dança a minha volta
E a liberdade canta aos meu ouvidos

As duas me dizem que não importa as desilusões
O importante é morrer vivo.


Poeminha do contra





Doce inocência

Onde estão nossas crianças?
Brincar,correr,pular,
Avisto poucas naquela praça.

Aquele menino de 10 anos brinca
com arma de brinquedo
Com balas verdadeiras.


Aquela menina de 15 anos brinca
Com boneca de verdade
Enquanto a mãe lá dentro chora
Ao corrompimento de sua inocencia
A sua propia.


Não entendo por que os brinquedos
Estão no lixo
E nas mãos marcas de uma vida
Calejada.


Nas calçadas pequeninos
Sentam-se e assistem
Seus sonhos escorrendo
Junto com a água suja do boeiro
Que desagua em suas esperanças.


Com um olhar profundo
E triste,que escondem
Uma tragédia , uma solidão,
Um silêncio com uma revolta amarga.

A cada esquina um colchão
Duro ,frio e as vezes amanhece
Umido pelas lágrimas que rolam
Durante á noite por não ter
Uma mão estendida ou um prato de comida.


Maldito olhar vazio e desesperado
Maldito descaso.

Minha cabeça descansada em uma
Cama macia e aconchegante
Enquanto um anjo corre por ai
Na noite vazia.

Meus pés no chão,mas logo
Calçarei o chinelo
Mas e aqueles pés seguidos
Com vestes rasgadas?


Passando pelo parque avisto
Aquele anjo sentado no chafariz
Sentei-me ao seu lado
E aqueles grandes olhos se voltaram
Para mim e sua boca emitiu um som
Tocante e rasgador : Onde esta Deus?

Senti por dentro a mesma dor e sofrimento
Por alguns segundos.

Maldito olhar vazio e desesperado
Maldito descaso.

Poeminha do Contra